segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Separação de pais.

Já contei aqui anteriormente que sou filha de pais separados; são separados desde o meu nascimento, ou seja, há 24 anos. Eu juro que não sei se teria sido mais ou menos feliz, se eles fossem casados até hoje, mas sei que eu teria tido menos problemas familiares e um pouco menos de culpa dentro de mim.
É, não é uma culpa que me consome, mas acho que é uma culpa que me trava um pouco e me faz ficar sempre com um pé, uma perna antes de tomar qualquer decisão na vida e isso desde cedo.
Sempre achei que a minha mãe era a parte menos favorecida nisso tudo, desde pequena, lembro que eu tinha esse pensamento. Não sei se eu sentia peninha, aquela dózinha, éramos eu e ela, enfim, não sei de verdade, mas eu cresci com essa dózinha dentro de mim, essa necessidade e vontade de cuidar dela, de que nada de mal a acontecesse e isso me atrapalhou e atrapalha hoje em algumas coisas.
Depois que a gente cresce um pouco mais, toma certa noção de tudo o que nos rodeia, é que eu pude perceber que minha mãe fez escolhas na vida e as consequências sofridas não foram nada anormais, uma vez que se trataram de consequências de escolhas vividas e que eu nada tinha a ver com elas, no sentido de poder opinar nelas.
Durante esses 24 anos de existência, eu fui muito apoiada pelos os meus avós paternos, sempre tive esse respaldo deles, meus pais se casaram novos, na época em que eu nasci, minha mãe tinha exatamente 24 anos e meu pai 26. Frequentava a casa do meu pai já com a minha madastra desde pequenininha, pude algumas vezes presenciar quebra pau entre os dois, presenciei situações diversas e engraçado, que algumas são nítidas até hoje em minha memória.
Lembro das festas de final de ano, era cada um de um lado, das minhas festinhas na escola, idem, dos meus 15 anos, o quanto fiquei satisfeita em tirar uma foto ao lado dos dois, lembro que ambos de alguma forma me manipulavam, acredito até que de maneira inconsciente, mas lembro de uma vez em que eu devia ter uns 9 anos e minha mãe pediu para eu perguntar ao meu pai porquê ele não voltava para casa. Lembro também das vezes que meu pai falou da minha mãe e seus olhos de alguma forma brilharam e ele sempre tentando esconder através de críticas.
Eu cresci assim, através do lado puro de ser criança, eu justificava tudo isso dizendo que eu tinha três casas, a da minha mãe, dos meus avós e a do meu pai, enquanto que na realidade, acho que eu gostaria mesmo ter tido uma casa só. Cresci com poucas fotos ao lado dos dois, poucos passeios na presença dos dois, mas cresci muito amada e não me sinto traumatizada pela separação deles, a presença dos meus avós foi fundamental.
Hoje, o tempo passou, minha mãe nesses 24 anos, namorou, casou, a Ingrid nasceu, separou. Meu pai desde a separação já estava com a minha madastra, cresci ao lado dela, hoje minha irmã tem 10 anos e nada muito diferente do que era. Mas eu posso perceber nitidamente os resultados da tal culpa a qual me referi lá no início do post.
Eu sempre tentei proteger a minha mãe, não sei porquê cargas d'água eu a achava frágil, achava que eu como filha deveria cuidar dela, das suas necessidades e por muitas vezes as assumi para mim. Depois que a Ingrid nasceu, me tornei a MAIS velha e parece que essa culpa redobrou!
Agora eu vou ser mãe, vira e mexe penso que não cresci ainda para tal, mas vou acreditar nas minhas amigas blogueiras que sempre dizem que quando nasce um filho, nasce junto uma mãe, espero. Me pego às vezes presa a determinadas escolhas da minha mãe e por diversas vezes sinto que devo protegê-la ainda do mesmo modo.
Mas acho que chegou a minha vez de ser mãe, de crescer e dentro de mim fazer o possível para que a Sofia não tenha esse tipo de sentimento dentro dela. Das poucas vezes que o Vitor é assunto dentro de casa agora, ela diz que não quer conviver, que pau que nasce torto não endireita, que ela tem sabedoria, que não erra de jeito algum - pausa; e eu sou obrigada a ouvir tudo isso, sim, ela é minha mãe, mas eu respondi o seguinte: '' Você já viveu, chegou a minha vez de viver, com as minhas escolhas, erros e acertos. ''
E essa culpa me faz muitas das vezes abrir mão do que eu penso, de como eu gostaria de conversar com ela, dizer o que eu sinto, como eu pretendo agir, os meus medos, as minhas inseguranças, por justamente querer diferente para a Sofia, mas conversar tem sido algo impossível.
Os meus tititis com ele nunca foram relacionados a maternidade, pelo contrário, sempre fui apoiada quanto a isso, ele desde o primeiro minuto amou ser pai. Será que fazer o tal do certo é largar tudo, jogar tudo para o alto e comprometer eternamente a vida de um ser humano? Ou lutar enquanto houver força, amor e vontade de construír uma família e mudar definitivamente o final dessa história?
Força já vi que Deus me concede a cada dia mais e mais, amor eu tenho, vontade também. Me resta deixar a culpa de lado e torcer todos os dias para que o amor, a paz e a união toquem os corações e que a Sofia venha em um ambiente de tranquilidade, que ela possa ter fotos ao lado do papai e da mamãe, que ela possa ter a casa dos avós para passear, que ela possa ter uma noção de estrutura de família, coisa que sinceramente, eu tive sim, mas de forma distorcida e conturbada.
Acho que além de nascer uma mãe junto, nasce uma responsabilidade ENORME de estar formando um ser, capaz de pensar, reproduzir, agir, amar, sonhar, com personalidade própria e essa responsa toda está nas minha mãos e na do pai dela, pois somos e seremos por uma eternidade os PAIS da Sofia.


Histórias do papai

'' Ah, eu lembro dele, era um que vivia suspenso '' - Comentário da irmã de uma amiga nossa, dona Joaninha, a respeito do papai (estudaram na mesma escola por volta dos 13 anos).
Dei risadas ao lembrar de algumas histórias da infância do Vitor, fico imaginando como ele vai lidar quando chegar a sua vez de ser PAI. Lembrei de uma que a mãe dele contou com um sorriso de orelha a orelha, depois de tanto ter sido chamada na escola. Ela contou que chegava na escola chorando e todos perguntavam como ela havia feito dois filhos tão diferentes - O pevertido ( papai aqui!) e o NERD (irmão mais velho 2 anos, um completo nerd até hoje - no carnaval nos perguntou aos 32 anos, se Red Bull deixava bêbado. ok.)
Um dos episódios que ele conta, é que um belo dia ele teve uma grande idéia: Levar um ''cabeção de nego'' para a sala de aula = ) Ah, sim, imagina, se ele pensou em explodir dentro da sala, não, imagina, SIM, assim ele fez. Posso imaginar o susto dos colegas e de todos os presentes na escola naquele momento.Lá foi a Dona Cheila, de um metro e meio, chorando até a escola. Ele? Contou que ficou por horas em cima da caixa d'água da casa da vovó (belo refúgio, não?) e a mãe dele lá em baixo com a vassoura na mão. Só desceu depois de muitas e muitas horas, depois de muito pedir: '' Vó, me ajudaaa!!!Ela quer me bater!!! ''
Em outra ocasião, não sei se era o começo de uma vida adulta, sexual, seja lá o que for, ele tinha APENAS 13 anos, quando a mãe dele resolveu dar aquela olhadinha básica na mochila do seu querido e calmo filho, quando achou uma cartinha. Ah, uma cartinha! Sim, uma cartinha que dizia o seguinte: '' Adorei ontem o que fizemos, eu, você e fulano. Quero marcar novamente com vocês dois! '' Ops, vocês DOIS? 13 anos? É, naquele instante uma mãe descobre que seu filho de ingênuo nada tem. Ela disse que ficou sem ação, pasma, branca, gelada!
Agora a versão dele: '' nada consegui fazer direito, me senti pressionado!'' rs...pois é, minha gente, muita calma nessa hora! O desempenho do menino ficou comprometido, pois a ''mocinha'' era atiradinha demais da conta!!!E além do mais, se tratava de uma first time rs, tadinho do papai.
É, papai não era muito calmo não rs e assim foi trilhando atéé, quando fez 18 anos, já fazia parte da Força Jovem do Vasco, algo que sempre desagradou a mãe dele e não é pra menos. A pobre coitada descobria que ele havia viajado, quando simplesmente via alguma reportagem na tv, ou algo no jornal avisando de algum jogo fora do Rio. Ela oferecia TUDO pra que ele trocasse essas viagens; roupas, passeios, mas nada se comparava àquele amor português.
Com 18 anos, ele chegou em casa, ela estava passando roupa, ele colocou a perna em cima da tábua de passar roupas e ela desmaiou. O que tinha de tão grave? Uma tatuagem IMENSA do mascote da Força Jovem - o famoso e feioso Eddie, uma caveira HORROROSA, com um machado na mão, cortando a mão sangrenta de um suposto flamenguista, acredito eu rs.
Pois é, hoje tudo o que ele mais quer é mandar o Eddie para correr, já passou essa fase não é mesmo???
E passado alguns anos...quase teríamos um papai mudo. MUDO, eu disse. Papai quando quer se concentrar em algo, tem mania de morder a língua e isso é para tudo, principalmente quando ele precisa exercer algum tipo de força. Contou ele que em algum determinado momento da sua nighttt ( ecals!) começou uma confusão e quando ele viu, havia levado um soco no queixo e lá estava a linguinha para fora, resultado?Sei lá quantos pontos na língua, ainda teve a seguinte observação - a menina que costurou a minha língua era mó gatinha, ela disse que por muito pouco mesmo eu não tinha ficado mudo.
Ele levou pontos na parte superior e posterior da língua, passou 10 dias sem poder comer nada sólido e a mãe? Nossa...ela contou que chorava de dó, pois ele chorava de fome.
Papai de calmo tem TUDO rs. Agora eu penso, e como será o nosso desempenho?
Eu juro que não quero ser chamada na escola toda semana e tenho certeza que ele não quer achar nenhuma cartinha daquelas na mochila dela!!!
Filha, seja calminha, por favor! Puxe a mamãe! A maior atrocidade que cometi na infância, ao contrário de soltar um cabeção de nego na sala de aula, foi encher de pasta de dente as lentes do óculos de uma amiguinha míope! Ai, que horror, né? Por que eu fiz isso? Fui para a sala da Tia Irmã (colégio de freiras) pensar. Ah, tá, eu também trancava a porta do banheiro e passava por baixo hihi, que travessura...Mas nunca fiquei com a língua pendurada, muito menos fiz uma tatuagem de caveira, apenas 3 furos a mais na orelha esquerda que fizeram meu pai ter um treco e até hoje não saber que tenho uma estrelinha tatuada no pulso.
Ah, lembrei de mais uma do papai, no maternal, MATERNAL, ou seja, lá pelos seus 2, 3 aninhos, a tia pediu para que todos fizessem um desenho bem bonito...imaginaram?O costume era desenhar uma casinha, carrinhos, bonecos, florzinhas...Sabe o que o papai desenhou? O órgão sexual do tamanho da folha inteira de papel do pai dele. HAHAHA! Resultado? Dona Cheila foi chamada até a escola, pois no mínino a professora, pensou???Será que é uma família de nudistas? E a mãe dele com a cara no chão, não sabia nem o que responder a professora. Chegou em casa, perguntou porquê ele havia feito aquilo e ele? Vai saber!!!
Tá, eu aprontei um pouquinhooo só, mas o papai...
Sofia, nem ouça essas histórias!!!
Beijos, mamãe te ama mais que tudo na vida!

sábado, 4 de dezembro de 2010

O mistério do último trimestre da gestação!

Eu não estou me reconhecendo - juro.
Se eu pudesse colocar em palavras tudo o que eu tenho sentido nessas últimas semanas, facilitaria e muito. Achei uma matéria interessante, descreve bem os sintomas físicos desse período final, realmente tudo o que está escrito lá, eu tenho sentido. (para saber mais clique aqui!)
Os desconfortos, o calor, as mexidinhas mais constantes, hoje mesmo ela mexeu de um jeito que parecia dançar dentro da minha barriga! É uma delícia, só consigo ficar com a mão imaginando o dia em que ela estará aqui, nos meus braços e junto a esse dia me vêm 30 mil preocupações e percebo o quanto os sentimentos ficam super conturbados nessa época.
O meu excesso de sentimentalismo está DEMAIS, a minha chatice IDEM, parece que tudo ao redor me sufoca, sinto muita falta da minha liberdade de ir e vir a qualquer hora, para qualquer lugar, agora mudou, né? Não ando mais sozinha praticamente, me sinto vigiada 24 hrs e isso me deixa mais nervosa ainda.
A verdade é que tudo e todos agora nesse momento me afetam de alguma forma. Eu estou sentindo muita falta de várias coisas que eu nem sei enumerá-las e fico contando os minutos para a Sofia chegar logo, para eu vê-la, para eu ver meu desempenho como mãe, são muitos sentimentos misturados.
Sem contar com o mau humor que é algo repentino, horas estou super sorridente, outras quero enforcar o primeiro que aparece na minha frente. Não posso deixar de ser grata por Deus ter me dado uma gestação tão tranquila em termos de saúde, graças a Ele estou super bem, apenas tendo que lidar com fatores externos e com os meus próprios sentimentos.
Gente, ser mãe é realmente uma viagem muito louca e sem direito a passagem de volta - que bom ; ) Imagino que ser pai também deva ser algo meio viajante também, para o Vitor tem sido um belo exercício de paciência e acredito que após o nascimento, um exercício de consciência de tudo o que ele praticou ao longo de sua vida.
Hoje sábado, espero fazer alguma coisa, antes que eu surte de vez.
Beijos.